
A formação de 7 horas para a remoção do código restritivo 78 baseia-se em um quadro regulatório preciso, modificado pela portaria de 15 de fevereiro de 2024. Desde 1º de março de 2024, nenhum prazo de espera é exigido entre a obtenção da carteira de motorista automática e a inscrição nesta formação. Essa mudança transforma a lógica da formação: ela se torna um complemento imediato, não uma etapa adiada.
Sequências da formação de transição: o que realmente cobrem as 7 horas
A formação é dividida em duas sequências distintas, com objetivos pedagógicos que os programas de autoescola nem sempre detalham claramente.
A primeira sequência ocorre fora da circulação, em um espaço protegido. Ela abrange a familiarização com o veículo de câmbio manual: busca do ponto de embreagem, troca de marchas, partida em subida, manobras em baixa velocidade. O instrutor avalia a coordenação embreagem-acelerador, que continua sendo o principal ponto de bloqueio para os motoristas acostumados com o automático.
A segunda sequência coloca o motorista em circulação real, em situações variadas (urbano, estrada, eventualmente via rápida, dependendo da autoescola). O objetivo não é validar um nível de exame, uma vez que nenhuma prova prática é imposta ao final da formação. Trata-se de uma medida de regularização administrativa, não de uma nova prova para a carteira.
Recomendamos verificar se a autoescola divide bem a formação em pelo menos dois períodos distintos, como prevê a regulamentação. Uma sessão de 7 horas consecutivas não respeita o quadro previsto e compromete a assimilação dos gestos técnicos.
Para aqueles que desejam converter sua carteira de motorista automática em carteira B manual, o atestado emitido ao final da formação é suficiente para conduzir um veículo manual enquanto aguarda a atualização do título.

Remoção do código 78 na carteira: procedimento ANTS e prazos reais
Uma vez com o atestado de formação em mãos, a remoção da menção restritiva 78 passa por um pedido no site da ANTS. O processo é digital, mas requer a apresentação do atestado escaneado e um documento de identidade atualizado.
O prazo de processamento varia conforme a carga da plataforma. Durante esse período de espera, o atestado de formação serve como documento legal para conduzir um veículo com câmbio manual. É necessário mantê-lo no veículo, junto com a carteira que ainda possui o código 78.
- Fazer o pedido no site da ANTS na seção “pedido de carteira de motorista”, categoria “outro pedido”
- Anexar o atestado de conclusão de formação emitido pela autoescola credenciada
- Conservar o recibo do pedido junto com a carteira existente até receber o novo título
- Verificar se a nova carteira recebida não possui mais a menção “78” na coluna de restrições
Observamos que alguns motoristas esquecem essa etapa administrativa e continuam a circular apenas com a antiga carteira, sem atestado. Em caso de fiscalização, a ausência de documento justificativo pode resultar em multa por conduzir um veículo não conforme às restrições do título.
Carteira automática sem transição: uma escolha consciente conforme o perfil de condução
A questão merece ser colocada de forma direta: a transição ainda é pertinente para todos os perfis? O parque automotivo está em evolução. A proporção de veículos novos vendidos com câmbio automático ultrapassa amplamente a dos manuais no mercado francês, e a tendência se intensifica com a eletrificação (os veículos elétricos simplesmente não têm câmbio manual).
Para um motorista urbano que nunca aluga um veículo no exterior e que considera um veículo elétrico ou híbrido como próxima compra, remover o código 78 representa uma despesa sem utilidade concreta. A carteira B automática já permite a condução da grande maioria dos veículos disponíveis nas concessionárias.
Casos em que a transição ainda é justificada
A formação mantém seu interesse em situações específicas. Um motorista que precisa utilizar veículos utilitários ou profissionais, frequentemente ainda equipados com câmbios manuais, necessita da remoção da restrição. Da mesma forma, o aluguel de veículos no exterior (notadamente no Sul da Europa) frequentemente exige um câmbio manual, sendo os modelos automáticos mais raros ou mais caros nas agências locais.
Um jovem motorista que antecipa um uso versátil nos próximos dez anos também tem interesse em realizar a transição rapidamente, enquanto os reflexos de condução estão frescos. Quanto mais se espera, mais o retorno à coordenação embreagem-acelerador exige esforço.

Custo da transição e escolha da autoescola credenciada
O preço da formação varia significativamente entre as autoescolas e as regiões geográficas. Recomendamos comparar pelo menos três estabelecimentos e verificar sistematicamente dois pontos antes de se inscrever:
- A autoescola deve ter a autorização da prefeitura para ministrar a formação de transição (nem todas a possuem)
- O veículo utilizado para a formação deve estar equipado com uma câmbio manual de comando mecânico, não um câmbio robotizado apresentado como “manual”
- O atestado entregue ao final da sessão deve conter o número de autorização do estabelecimento, a data da formação e a assinatura do instrutor
Algumas redes de autoescolas oferecem a transição já no dia seguinte à obtenção da carteira automática, o que agora é regulamentarmente possível desde março de 2024. Essa flexibilidade permite integrar a transição em um percurso de formação contínuo, sem interrupções.
A carteira B automática não é uma carteira de segunda classe. É um título de condução completo, com uma restrição que pode ser removida por meio de uma formação curta. Dependendo do perfil de condução e dos usos reais do veículo, manter o código 78 pode ser uma escolha racional em vez de uma lacuna a ser preenchida.